O MEU FUSCA FALA!

30.7.2004

CINCO CHEIROS INESQUECÍVEIS



1. De terra molhada pela chuva

2. De lençóis limpíssimos

3. De corpos suados depois do amor

4. De temperos e panelas fumegantes

5. Do meu Fusca!

 Escrito por Monica às 10h13 [] [envie esta mensagem]


29.7.2004

CANTO DA ÁGUA



Taí uma poesia que eu queria ter feito. É besteira tentar explicar quando
se trata de qualquer verso do grande Paulo César Pinheiro:

Eu gosto de ser como a água
Que vem lá do fundo da terra,
Que brota na beira do mato,
Que desce do alto da serra,
Que vai inventando seu leito
Conforme o que vê pela frente,
Que vai alargando seu curso,
Crescendo e criando afluentes.

Eu gosto de andar como a água
Que nunca é da mesma maneira,
Que às vezes é mansa lagoa,
E às vezes voraz corredeira,
Que vai dando vida onde passa,
Que segue o seu cotidiano,
Regato, ribeira, riacho,
Cachoeira, mar, oceano.

Eu gosto do canto da água
Quando ela faz seu burburinho,
Da triste toada da chuva,
Da terna canção do moinho,
Da doce balada das ondas,
Da cantiga do ribeirinho,
Até nisso eu sou como a água,
Também canto pelo caminho.

 Escrito por Monica às 13h13 [] [envie esta mensagem]


27.7.2004

TÊNIS OU FRESCOBOL?



Taí um texto cascudo que me revira por dentro, sobretudo quando o amor está em tempos de guerra:

'Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar".

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O Império dos Sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música.

A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo...". Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada". É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma".

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado.

Aqui, ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos... A bola são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...' (Rubem Alves)

 Escrito por Monica às 14h18 [] [envie esta mensagem]


26.7.2004

BLOG SEDUTOR



Ah, as delícias do mundo virtual! Fui encontrada por uma amiga real sumida há tempos: Mel Fontes, uma baiana arretada, cheia de ginga e, como eu, apaixonada por gatos. Estou encantada pelo blog dela, o 'Acontecível' (link à direita, lá embaixo... minha máquina continua uma porcaria). Digamos que fui seduzida à primeira vista ;) Visitem! Visitem!

 Escrito por Monica às 13h51 [] [envie esta mensagem]


23.7.2004

SEBASTIÃO SALGADO USA!



Ah, um de meus mais sinceros sonhos de consumo é uma Leica M7... Digamos que vale o quanto custa (cerca de R$ 15 mil). Carol (que me trocará neste fim de semana pelo frio de São Paulo), segura a dica: trate de ganhar dinheiro para satisfazer meu capricho!

 Escrito por Monica às 14h52 [] [envie esta mensagem]



CARTAZES INUSITADOS



Este desenho está no livro 'Entrada Boca de Lobo', dos publicitários Esteban Seimandi, Gastón Silberman e Machi Mendieta. Os três argentinos levaram quatro anos pesquisando cartazes inusitados - todos criados por amadores. Gostei um bocado desse aqui de cima, ó.

 Escrito por Monica às 14h23 [] [envie esta mensagem]


22.7.2004

SAUDADE DA FACHA



Eu e meio mundo jornalístico estudamos na Facha. Aquele busdoor é real: onde você vai esbarra com alguém de lá! Vamos deixar de lero e identificar logo a galera da foto, da esquerda para a direita: Juliana Andrade e Vivian Ribeiro (duas de minhas melhores amigas!), Ana 'Djavan' (também disponível na versão 'Glória Maria') e, de camiseta avermelhada, a sempre diferente Branca Mattos - uma dessas pessoas que a gente se afasta meio sem querer, mas sempre faz festa quando reencontra. É isso aí. Bateu uma saudade...

 Escrito por Monica às 22h00 [] [envie esta mensagem]



RUA DOS BOBOS, NÚMERO ZERO



O proprietário desta... desta... tentativa de casa só pode ser uma pessoa muito otimista. Como alguém acredita que haverá um ser humano interessado em somar este bem às suas posses? Só se não souber ler, como o vendedor não soube escrever...

 Escrito por Monica às 15h00 [] [envie esta mensagem]



ZEEEERIIIINHOOOOUUM?



Eu e Marcelo Moutinho confabulando sobre a volta da revista 'Roda de Choro', editada nos anos 90 pelos craques Egeu Laus e Rodrigo Ferrari, e bebendo todas no Centro Cultural Carioca. Egeu já rascunhou algumas idéias muito interessantes e agora só falta mesmo é agregar mais colaboradores e colocar as mãos na massa.

Que história é essa de zeeeeriiiinhooooouum? Pergunte ao Marcelo ou ao João Pimentel... (risos)

 Escrito por Monica às 10h53 [] [envie esta mensagem]


19.7.2004

AH, ESSES RABELLO...



Enfim, é chegada a hora de começar a pesquisa sobre Raphael Rabello. Inícios sempre me deixam com um friozinho de nervoso na barriga... Por hora, uso e abuso das dicas de Amélia Rabello - cantora de timbre e bom gosto raríssimos e irmã do gênio do violão. Taí uma bela fotografia dos dois juntinhos.

 Escrito por Monica às 14h18 [] [envie esta mensagem]


18.7.2004

DOMINGO CHUVOSO...

 

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

 Escrito por Monica às 13h10 [] [envie esta mensagem]


17.7.2004

CARTOLA PARA PEQUENOS

 

É super emocionante ver o nome da gente impresso na capa de um livro. Ainda mais assim, pela primeira vez...

Espero você na minha tarde de autógrafos - aviso aqui assim que minha editora, Beth Bansi, fechar a data. O que sei por hora é que será na livraria Folha Seca, do Rodrigo e da Dani, que fica na charmosa Rua do Ouvidor, Centro do Rio de Janeiro.

Em tempo: o livro sai pela Moderna, dentro da coleção Mestres da Música do Brasil.

 Escrito por Monica às 14h07 [] [envie esta mensagem]


16.7.2004

SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO



Perdi minha carteira com TODOS os documentos (inclusive um Título de Eleitor ainda cheirando a tinta) nesta trágica quinta-feira. Foi ainda pela manhã, entre o Santos Dumont e Congonhas. Só abri a bolsa duas vezes: no avião, quando saquei o jornal, e na portaria da Editora Moderna, quando constatei que não havia nada que me identificasse como a autora esperada para um almoço num restaurante japonês. Por sorte, tenho o hábito de guardar o dinheiro em outros compartimentos - ou estaria até agora 'caminhando contra o vento' por Sampa.

O motivo da viagem era aprovar o rascunho final do meu livro infanto-juvenil sobre Cartola - que, tudo indica, sai em agosto (está tão bonito...). Depois, encarei uma hora de delegacia (ou não embarcaria de volta, já que não havia nada que provasse que eu era eu), uma hora e meia de trânsito até o aeroporto e umas seis ou sete visitas às salas de achados e perdidos da TAM e da Infraero.

À esta altura já estava em absoluta crise de identidade, ensaiando uma leitura psicanalítica das mais terríveis. Prometi fazer a última tentativa no aeroporto carioca e, enfim, relaxar. 'Acontece com todo mundo', me forcei a crer. Logo em seguida, achei os documentos! (apesar de estarem cancelados...). A carteira havia caído dentro do avião mesmo.

Estranho, né? Você também não acha que tudo isso quer me dizer alguma coisa?

 Escrito por Monica às 23h50 [] [envie esta mensagem]


13.7.2004

FRIENDS



No mínimo, é um fato curioso (para não dizer preocupante): em menos de cinco dias e me vejo descobrindo e adorando, pela segunda vez, algo que já está nas paradas de sucesso há um tempão. A bola furada da vez é o seriado 'Friends' que, inclusive, acenou com um definitivo 'bye-bye' - alguém sabe o nome do santo que protege o inventor do DVD? (risos).

Olha! Assim que legalizarem o casamento gay no Brasil ou... ou... que João Gilberto fizer um show grátis na Praia de Ipanema ou... que as abobrinhas que escrevo neste blog forem o assunto do dia no ônibus, no mercado e na padaria ME AVISE! Essas coisas, entenda, não é legal ser a última a saber.

 Escrito por Monica às 03h54 [] [envie esta mensagem]


11.7.2004

ANIMA MUNDI

Amei esses tomates alegrinhos! Eles são as estrelas de uma animação que está em cartaz na décima segunda edição do Anima Mundi. Apesar de só conhecer o evento pelos jornais e pelos comentários dos amigos, acho que vale a dica de um programa que todo mundo acha beeeem legal. Quem sabe não quebro o jejum este ano?

 Escrito por Monica às 11h31 [] [envie esta mensagem]


8.7.2004

MEU TEMPO É HOJE



Acreditem: esta sambista (fajuta...) que vos escreve só conferiu o documentário ‘Paulinho da Viola – Meu tempo é hoje’ há exatos 15 minutos. Ou seja, todo mundo está careca de saber tudo o que é encantador no filme e que nos deixa em absoluto estado de graça. Já estava pronta para dormir, mas na falta de um interlocutor acordado (risos) corri para o escritório. Precisava urgentemente escrever alguma coisa sobre o longa de Izabel Jaguaribe.

Apenas críticas leves, que não comprometem a qualidade do documentário: Marisa Monte aparece demais e Marina Lima sobra como laranja fora de época. O que esta senhora roqueira tem a ver com samba, minha gente? E ninguém apresenta o sensacional Dino Sete Cordas, ainda vivo, mas com a saúde muito precária.

As lágrimas molharam o travesseiro quando Raphael Rabello surgiu todo sorridente ao lado do Paulinho. Raphael é uma de minhas grandes paixões musicais. Aliás, notícia de primeira mão: dentro de poucos dias começo a escrever um livro sobre ele... Ganhei uma bolsa do RioArte para tocar o projeto.

Alguém aê duvida que a música brasileira é a melhor do mundo?

 Escrito por Monica às 00h46 [] [envie esta mensagem]


6.7.2004

QUAQUARAQUAQUÁ



Mais uma imagem emprestada do excelente fotolog Tonga da Mironga. Em foco, Elis Regina num momento totalmente relax. Nessas horas, o único pensamento que me vêm à cabeça é 'putz, nasci mesmo na época errada'. Vamos combinar que em 1982, quando a Elis partiu, eu era apenas uma menininha sapeca de cinco anos...

 Escrito por Monica às 20h33 [] [envie esta mensagem]


4.7.2004

LARANJEIRAS SATISFEITO SORRI

 

O Bar do Serafim coloca a freguesia para dormir muito cedo. Por volta das 23h aquele garçom coroinha, nada simpático, pula de mesa em mesa com cara de poucos amigos avisando que o bar vai fechar. Nos últimos meses abriram mais dois botecos maneiros no Baixo Alice: o Arruaça e a Tasca do Edgar. Cerveja de garrafa e rapaziada no primeiro e comidinhas espertíssimas com gente de tudo quanto é idade no segundo. Ontem mesmo, enquanto devorava um caldo de siri na Tasca, que fica quase em frente ao Serafim, comentei: ‘Tem português que não sabe ganhar dinheiro’. Carol concordou e engrenamos numa conversa sobre Portugal (afinal, eu me chamo Ramalho Cunha, ora pois).

 

Escrevi todas essas linhas para dizer que cá estava a folhear meu jornal de domingo quando esbarrei com uma matéria linda, de página inteira, sobre o Juca – dono da Tasca, do Serafim e até de um terceiro boteco muito famoso no bairro, Bar do Juca, que ainda não conheço. Essa foi boa! O cara não só sabe ganhar dinheiro como se dá ao luxo de fechar um dos estabelecimentos a partir da hora que lhe der na telha. E este, em princípio, ato de preguiça é o que faz a Tasca bombar!

 

Fica registrada aqui minha paixão por Laranjeiras, bairro onde Cássia Eller morou e onde Nando Reis se inspirou para compor ‘All Star’. Taí um pedacinho da letra para refrescar a memória dos bebuns (risos):

 

‘Estranho seria se eu não me apaixonasse por você

O sal viria doce para os novos lábios...

Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras

Satisfeito sorri quando chego ali...’

 Escrito por Monica às 16h00 [] [envie esta mensagem]


 
 
 
       
   



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